Cântico Cinza-Clarinho
Mas vá lá, eu que estive aqui a pensar e a fumar e a fumar e a pensar de volta os pensamentos...
Quero dedicar este poema ao Morte Negra pois para ele tudo é negro e tanto assim que eu creio que quando os Rolling Stones escreveram a «Paint It Black» estariam provávelmente a pensar nele... Eu não sou o Mick Jagger... (E ainda bem, ao pé de mim vocês iam achá-lo um homem deslumbrante... Apesar de como mulher, a Eu ganha-lhe por centenas de pontos... É que a Eu, como homem... É simplesmente horrível)... Mas mesmo assim, para a melhor ou para pior, cá deixo a minha homenagem ao MN para quem a vida é tão negra como a própria morte.
E este cântico que eu escrevi plagiando e parodiando esse grande poeta que é José Régio, é baseado em factos reais e sim, é o meu «Cântico Cinza-Clarinho» porque a vida nem sempre (quase sempre) é preto no branco logo é cinza, e apesar de haver mais cores para simbolizar isto, o cinza é aquele tom intermédio do equilibro e do esbatido ao passo que o clarinho significa alguma esperança num futuro mais radioso...
Portanto Zé Régio, se não te importas vamos a isso...
CÂNTICO CINZA-CLARINHO
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com os olhos semi-cerrados,
(Há, nos meus olhos, raios avermelhados) - (É do paiva…)
E cruzo os braços, E nunca vou por ali... (Para quê? Tou aqui tão bem!)
A minha glória é esta: CRIAR JOCOSIDADE!
Não deixar de copiar ninguém!— Que eu vivo com o mesmo à-vontade
Com que vou ao ginásio com a minha mãe!
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nas cascas de banana e pisar cócó,
Ir ver um filme de «Zombies» com a minha avó,
Como se fosse Páscoa todos os dias, alimentar governos a pão-de-ló,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para seguir a filosofia ZEN e a do «carpe diem»,
E e fazer com que cada dia seja enriquecedor e gratificante!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis amizade, vontade de viver e coragem
Para eu deitar abaixo os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, o principio activo - T.H.C.,
E vós amais o que é fácil! Enrolar…
Eu amo o Longe e a Miragem (E é cada miragem, mira «man»… Que eu sór... vino!)
Amo os sorrisos, os risos e as passas...
Ride! Tendes estradas (esburacadas),
Tendes jardins (ou são estádios?),
tendes canteiros (com plantas ilegais na marquise?),
Tendes produto, tendes mortalhas,
E tendes Música e Cinema e Teatros... e o Canal Parlamento...
(Que da maneira que as coisas estão na política Portuguesa ainda se vai chamar o «Anal Parlamento»... Não é que eles, os políticos, além de serem panascões ainda passam a vida a enrrabar-se uns aos outros?)
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um charro, a arder na noite escura,
E sinto fumo, e leveza, e sorrisos nos lábios...
dEus e o Bill Hicks é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; e eu também…
Portanto eu, que principio e hei-de acabar um dia,
Nasci fruto duma queca que os meus pais deram numa noite de verão.
Ah, que ninguém me dê piadas fraquinhas,
Alguém que me peça sketches!?!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é uma gargalhada que se soltou,
É um show que se levantou (e riu),
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
(Ninguém sinaliza esta merda deste país como deve ser! Como hei-de saber, porra!!!
Depois queixam-se que há acidentes rodo-aviários... Ou lá o que é!... Nas estradas é só galinholas à solta...)
Sei que não vou por aí!
Copyrighted to: Inês Ramos 2005 (c) All Rights Reserved.


9 Comments:
Eu diria que é um cântico cinza-clarinho, com um tom acastanhado de calhau de ganza. http://abestapt.blogspot.com/
"Se o José Régio EStivesse mais bem-disposto"
Belo arco-íris.
Continua!
Ide! tendes queima, tendes cerveja, tendes alcool, tendes ganza, tendes musica, e tendes gajas e amigos e engates e orgias!
Eu tenho solidao, tenho a minha loucura e levanto-a como um facho a arder na noite escura e sinto poesias inundarem-me as veias e nos labios secretas melodias...
by Inês Ramos on 6/5/2003
lembras-te Inês! desta msg q me mandaste?
Fico radiante - imagine-se, EU, radiante - por me teres dedicado um poema...um poema alterado de J. Régio, mas no fundo um poema Teu, tão original e criativo e jocoso.
Fortemente influenciado por especiarias para o cérebro, mas a espeçiaria só serve para dar sabor, para tornar adocicada, picante, amarga ou salgada a comida. Se não houver comida para temperar, as especiarias de nada servem. Os psicotrópicos são assim, só adocicam, tornam picante, amargam ou salgam um cérebro, um espírito que de si já é inteligente, espirituoso, criativo, original.
Eu concordo que a vida vive-se dia-a-dia.
Basicamente é por isso que eu nunca penso no amanhã, no longo prazo. Por ventura isso torna-me irresponsável, infantil, um ser à deriva para os outros, quiçá um ser patético, uma criança grande? Pode bem ser, mas eu nunca me preocupei com o que os vizinhos pensam. Nada mais importa para além do Círculo. Só as alegrias e tristezas vividas dentro do Círculo (e eu imagino que tu conheces esta expressão a que me refiro, o Círculo) é que realmente importam. Por vezes tentamos nos extroverter, alargar o Círculo...essa distorção geométrica por vezes é pertrubadora...por vezes cortámo-nos no Raio da Circunferência.
Sabes que eu não sou verdadeiramente o Morte Negra...eu acho que o Morte Negra é uma parte de mim...no fundo todos nós temos algo dentro de nós, a que eu chamei, por motivos gótico-blogliterários-humoristico de Morte Negra....mas O MN pode ter um milhar de nomes : o nosso lado negro, as nossas cicatrizes, os nossos sentimentos mais deprimentes.
Mas eu não sou verdadeiramente assim, nem tudo são trevas no meu caminho...porque ao longo do percurso temos sempre luzes-de-presença, fogos-átuos de esperanças, pirilampos jocosos de quentes noites de Verão, fadas tipo Sininho que alumiam a estrada...quando chegamos perto dessas luzes, ténues no brilho, mas reconfortantes, vemos que essas luzes são todas membros do Círculo.
Tu és uma dessas luzes!
Obrigado, Sêni!
Sir Paul, claro que lembro... Essa 'queima' foi muito triste para mim. Não tinha com quem ir... Não tinha com quem vir... :(((
Ok, Mr. Morte Negra. O recado foi entregue. Bj0s
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Inês
Parabéns. Não apenas pelo poema, mas também por teres sido capaz de animar o Morte Negra. Só tu conseguirias ser bem sucedida numa empresa dessa envergadura.
Morte Negra: Gostei do tom simpático e despretensioso do comentário. É para repetir? Se sim, sugiro que mudes de pseudónimo, plagiando aquele ex-jogador do Sporting: "Boa Morte", que tal?
Claro que sim. Ele vai repetir.
"...Protege o teu círculo, a base da vida são a familia e os amigos..." - Fuse
E a propósito, é esta a frase da semana. ;)
Prontos ( e este prontos é para chatear algumas professoras;), Miguel é assim:
O Morte Negra não é assim tão dificilmente animável. E a Inês sabe-o. Basta alguém dizer "Kra-Pow" ou "Ah, é o gajo!" ou qualquer parvoeira do género que ele ri-se logo.
O Morte Negra é uma figura de fina ironia.
O que pouca gente sabe é que ele nasceu para satirizar os bloggs góticos. Muito do que se lê no Lake of Tears não é necessariamente obra de uma alma escura e sem humor!:)
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