segunda-feira, junho 19, 2006

Notícia de Última Hora!


Samuel F.B. Morse já reagiu à última mega produção de Hollywood. A Rambóia esteve com ele e registou as palavras de descontentamento do inventor radiotelegrafista: "Porque é que o meu código não tem direito a um filme?" - dizia indignado.
Finalmente já recebi uma resposta à primeira transmissão telegráfica intercidades alguma vez feita que enviei no passado ano de 1844, "O que será a palavra do Senhor?" Aparentemente, é "Um monte de merda perfumado chamado O Código Da Vinci."
Porque irão os cinéfilos querer ir ver um conto-de-fadas de blasfémia sobre uns tais de Sr. e Sra. Jesus Cristo é algo que me ultrapassa. O meu código - um código a sério, relembro-vos - tem suficiente carisma para aguentar uma temporada inteira de blockbusters e uma série de sequelas e merchandise promocional. Deixá-lo de parte é um ultrage da sétima arte!

Que raio estarão os "big bosses" de Hollywood a pensar a esquecerem-se de mim desta forma? Já telegrafei o meu agente várias vezes, mas ainda aguardo uma resposta. Será que não percebem que o código Morse revolucionou a comunicação, transformou o comércio, facilitou a expansão do oeste americano, e mudou para sempre a forma de como as pessoas vêem o mundo de uma forma que o O Código Da Vinci apenas sonhou fazer?

As cenas de acção, baseadas em acontecimentos reais, seriam únicas. Numa sequência "electrificante", o meu código seria usado em trocas comerciais de longa distância. Porém, os remetentes seriam vítimas de uma tempestade que teria danificado os pólos de transmissão fora da cidade. Seria um momento de grande tensão enquanto os pólos estivessem a ser arranjados. Iria a troca continuar? Seriam canceladas as encomendas? Tanto suspense só seria possivel com o código Morse em acção.
Para incluir algumas gajas boas podia-se rodar uma cena numa fábrica de texteis de Massachussets, com detalhadas descrições telegrafadas de corpetes e afins.
Numa outra sequência, um jornal de Chicago recebe via telégrafo uma notícia que o Congresso autorizou uma tarifa do trigo cinco minutos depois da data limite. Será que o jornal vai conseguir publicar as notícias a tempo da edição da tarde sair para as bancas? Ou será que o jornal rival vai publicar a notícia primeiro? Vejam O Código Morse e descubram este intrigante mistério!
E o que seria de um filme sem as suas memoráveis frases citáveis? Casablanca teve o seu "Here's looking at you, kid!", "Terminator" o seu "Hasta la vista, baby." As melhores aparecem sempre no climax do filme quando o forte está a ser tomado pelos índios. O operador faz passar esta mensagem de cortar a respiração:
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Após ouvir os fatalistas sons, o operador prossegue com a seguinte resposta de gelar o coração:
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Garanto que esta comunicação que não é para os que sofrem de tensão alta se tornará de imediato um verdadeiro clássico. O meu filme sobre Código Morse não teria nada de ocultismo religioso, mas sim pura, acção e tecnologia de ponta da era industrial: close-ups de correspondência telegrafada entre dois capitães de barcos a vapor; dedos a bater ferozmente mensagens vindas de locomotivas raivosas e fumegantes e pontes-móveis de cimento armado e betão normais.
Para a banda sonora contratava-se Trent Reznor e os Nine Inch Nails que certamente saberiam tirar partido dos melodiosos sons do telégrafo para compor sinfonias sadoexistênciais com letras repletas de polémicas e subtis alusões de carácter freudiano sobre a psicosexualidade do telégrafo.
E se me é permitido posso sugerir que os promotores do filme distribuam a menores de 12 anos descodificadores especiais de modo a que os petizes possam seguir o diálogo?
Bom acho que já disse o suficiente para provar que O Código Morse ia ser um sucesso de proporções épicas. Fico a aguardar a resposta de Hollywood. Seguramente que o meu código merece mais que uma mera referência de dois minutos durante os programas do canal História e meras alusões nos livros de história do nono ano!

1 Comments:

Blogger Sergy disse...

Extremamente criativo! Clap Clap!

7:07 da manhã  

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